A escola é inclusiva?

A escola é inclusiva?

Esta é uma indagação muito comum entre os pais de crianças com deficiência ou com necessidades escolares específicas. Assim sendo, teceremos alguns comentários para que os pais saibam o que é uma escola verdadeiramente inclusiva.

Antes de tudo, a educação é um direito de todos. Logo, ela deve ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento e do fortalecimento da personalidade. 

O respeito aos direitos e liberdades humanas, primeiro passo para a construção da cidadania, deve então ser incentivado. Educação inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar.1

Objetivo da escola inclusiva

A escola inclusiva deve favorecer a diversidade. Isto então seria de forma simplista dizer que todos os alunos independentes de suas condições físicas, mentais e psicológicas irão estar juntos no contexto escolar, aprendendo e aprimorando seus conhecimentos. Desta maneira, o ensino e a aprendizagem devem ser para todos.

 

Todavia, importante informar que existem alunos com necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola inclusiva, como, por exemplo, a utilização de recursos e apoio especializados para garantir a aprendizagem de todos os alunos.

Uma escola verdadeiramente inclusiva não nega as dificuldades dos estudantes, pelo contrário, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade.

Na educação que se direciona à escola inclusiva é necessária uma prática pedagógica coletiva, ao passo que os docentes deverão receber os alunos com necessidades especiais, perceber suas limitações e integrá-los à turma, valorizando suas habilidades e facilitando sua dificuldade que pode ser através de adaptação de material escolar, bem como de outros recursos.2

Logo, a escola inclusiva tem o desafio de inserir os alunos com necessidades especiais na sociedade através de medidas educativas. Ou seja, a escola deve propiciar a oportunidade de convivência entre todos alunos independente de suas diferenças.2

Deste modo, para uma escola ser efetivamente inclusiva, deve-se haver então utilização de recursos e apoios especializados, plano de ensino diferenciado, adaptações curriculares e de materiais, capacitação para os professores e a participação dos pais e terapeutas na instituição.

Infelizmente, no Brasil são raras as escolas que promovem a efetiva inclusão. Porém, com o auxílio da Lei Brasileira de Inclusãoe a participação ativa dos pais, seja lutando para efetivação dos direitos de seus filhos, seja auxiliando a escola e os terapeutas, acreditamos sobretudo em um futuro melhor e mais inclusivo.

Importância dos pais na escola inclusiva

Os pais têm papel fundamental no processo de inclusão escolar. São eles que, através de suas lutas diária pelos direitos dos seus filhos e conscientizando as escolas da necessidade de se tornar de fato inclusiva, conseguem avanços na concretização desta inclusão. Dentre esses avanços, citamos então a adaptação de materiais e currículo. Outros avanços também incluem a capacitação de professores, por exemplo.

A integração entre pais e profissionais é fundamental. Isto porque ninguém, além deles, conhece melhor o seu filho. Logo, são os pais que convivem 24 horas por dia e aglomeram informações valiosas para o aperfeiçoamento do processo. Esta colaboração traduz-se num incentivo muito grande aos profissionais, estimulando-os a lidar com as crianças. 

Este entrosamento é primordial para que ambas as partes (pais e profissionais) encontrem a melhor maneira de tratamento para a educação da criança. Esta, por sua vez, observando a união entre eles, vai se sentir melhor e terá portanto uma maior confiança naqueles profissionais que a assistem.4

Os pais são agentes indispensáveis no processo educacional dos filhos. A família é a que melhor conhece a criança, uma vez que a acompanhou desde seu nascimento e, da mesma maneira, a criança se sente mais segura estando próxima da sua família. Para Petean e Borges (5), a participação da família promove o desenvolvimento da criança e atua como agente mediador entre a escola e o meio social.

Os autores Barbosa, Rosini e Pereira (6) afirmam que, se as atitudes dos pais forem positivas com relação à educação inclusiva, melhor e mais rápido então será o processo de inclusão.

Assim sendo, pais precisam manter uma boa interação com a escola, pois isto representa um fator positivo para a inclusão escolar e são os pais que possuem conhecimentos e experiências para ensiná-los.

ESCOLA INCLUSIVA E O INCENTIVO ÀS CRIANÇAS ESPECIAIS

As crianças com necessidades especiais precisam de muito incentivo e atenção para vencer as dificuldades de aprendizagem que muitas vezes fazem com que elas desistam de estudar.

Os pais, algumas vezes, atribuem apenas à escola as dificuldades de aprendizagem de seu filho, culpam a professora pela demora nas aquisições. Os professores, por sua vez, dizem que não estão preparados para incluir, ou que os pais delegam exclusivamente a eles a responsabilidade de ensinar. 

No entanto, a verdade é que os resultados são a soma dos compromissos dos pais, da escola, da equipe terapêutica e da própria criança.

Logo, a inclusão não deve ser guerra, mas sim um desafio. Não deve ser conspiração, mas sim um intercâmbio de ideias. Não deve ser conflito, mas cumplicidade. 

Seu prêmio vai ser, portanto, a aprendizagem real da criança diferente, como cada criança é, mas assim respeitada em suas características. Em outras palavras, a criança terá seu espaço reconhecido e aproveitado para que seja sempre ampliado, exercendo seu direito de estar com todos e sendo encarado como mais um aluno. 7

*DANIELE SANT ANNA REGO DA SILVA

Advogada graduada pela UFF 2000, pós graduada em direito privado pela UFF e pós graduada em Psicopedagogia pela Candido Mendes, Procuradora do Município de São Gonçalo, ativista na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, fundadora do grupo de  pais de pessoas com síndrome Down NITDOWN , voluntária  no grupo de acolhimento ACOLHEDOWN, ativadora do Movimento Down e mãe de João Pedro de 7 anos, Lucas, síndrome de Down de 4 anos e Beatriz de 2 anos.

Bibliografia

1 – Alonso D. Educação inclusiva: desafios da formação e da atuação em sala de aula [Internet]. 2013 Dez. [acesso em 04 de janeiro de 2018].Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/588/educacao-inclusiva-desafios-da-formacao-e-da-atuacao-em-sala-de-aula

2 – Carvalho R.E. Removendo barreiras para a aprendizagem. Educação inclusiva. 3ª edição. Porto Alegre: Mediação; 2003.

3 –  Brasil, Lei 13.146/2015. Institui a lei Brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Estatuto da pessoa com deficiência). 06 de julho de 2015.

4 – Figueira, Emilio. Conversando sobre Educação Inclusiva com a família. 2ª.Edição. São Paulo: Agbook; 2014

5 – Petean, E. B. L. e Borges, C. D.  Deficiência auditiva: escolarização e aprendizagem de língua de sinais na opinião das mães. Paidéia (Ribeirão Preto), 2002; vol.12, n.24, p.195-204.

6 – Barbosa, A. J. G.; Rosini, D. C. e Pereira, A. A. Atitudes parentais em relação à educação inclusiva. Rev. bras. educ. espec., 2007; vol.13, n.3, p. 447-458.

7 – Bibas JM; Valente MI. Alfabetização na Síndrome de Down. [Internet] . 2013 Mar [acesso 10 de dezembro de 2017]. Disponível em: https://inclusaoaprendiz.wordpress.com/author/jombibas/page/2/

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